Judiciario
Juíza critica defesa e nega tentativa de adiar júri de empresário
A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, negou pedido de instauração de incidente de insanidade mental e manteve o júri popular do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, marcado para a próxima terça-feira (21).
Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, Carlinhos, como é conhecido, é réu confesso pelo feminicídio da ex-companheira, Thays Machado, e pelo homicídio de Willian César Moreno, então companheiro dela. O crime ocorreu em janeiro de 2023, em Cuiabá. O empresário está preso.
Na decisão, a juíza repreendeu a defesa do empresário ao afirmar que o pedido foi apresentado apenas às vésperas do julgamento pelo Tribunal do Júri, apesar de o laudo particular utilizado como fundamento ter sido produzido ainda em 2023.
Josi Dias/TJMT

A juíza Monica Perri, que assina a decisão
Segundo a magistrada, a defesa deixou transcorrer todas as fases do processo, incluindo a instrução criminal e os recursos ao Tribunal de Justiça e ao Superior Tribunal de Justiça, sem jamais requerer a realização do exame, o que evidencia, em sua avaliação, o caráter tardio da medida e objetivo protelatório do processo.
“No caso em exame, a defesa deixou transcorrer toda a instrução, a pronúncia e o integral e longevo trâmite recursal — que se estendeu até o Superior Tribunal de Justiça, com trânsito em julgado certificado em 20/08/2025 — sem suscitar qualquer dúvida sobre a integridade mental do acusado, para somente próximo do julgamento pelo Tribunal do Júri, quase três anos após a produção do parecer particular em que se funda, formular o pedido ora indeferido”, escreveu.
“Tal proceder, à luz da jurisprudência colacionada, evidencia não apenas a preclusão da matéria, mas o nítido propósito de retardar o regular andamento do feito, não se prestando o incidente de insanidade mental a servir de expediente protelatório à realização da sessão de julgamento”, acrescentou.
“Diante do exposto e em consonância com o parecer ministerial, indefiro o pedido de instauração de Incidente de Insanidade Mental formulado pela defesa do acusado Carlos Alberto Gomes Bezerra, bem como o correlato pedido de suspensão do processo, por ausência de dúvida razoável sobre a integridade mental do acusado e por preclusão da matéria, nos termos da fundamentação supra”, decidiu.
Relembre o caso
Thays Machado, de 44 anos, e Willian César Moreno, de 30, foram assassinados a tiros em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.
O casal havia acabado de deixar um veículo na garagem do prédio e aguardava um carro por aplicativo quando foi surpreendido pelo atirador.
Thays era servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), e Willian era empresário em São Paulo.
O empresário foi pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri por duplo homicídio qualificado e feminicídio contra a ex-companheira, acusado de agir por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas e com emprego de meio que colocou outras pessoas em risco.
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