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Polícia suspeita de outros envolvidos e juiz prorroga inquérito

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A Justiça de Mato Grosso prorrogou por mais 120 dias o prazo para a conclusão do inquérito que apura o feminicídio da empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, morta pelo companheiro, Jackson Pinto da Silva, em maio deste ano, em Cuiabá.

 

A investigação envolve, além da apuração do feminicídio em si, a análise de volumoso material eletrônico apreendido

A decisão foi proferida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, em substituição na 14ª Vara Criminal de Cuiabá, e publicada na última semana. 

 

O magistrado acolheu um pedido da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que busca apurar a possível participação de outros suspeitos no crime.

 

Segundo a delegada Jéssica Cristina de Assis, responsável pela investigação, a complexidade do caso levanta dúvidas sobre a atuação isolada de Jackson no homicídio. 

 

Jackson tornou-se réu no início de julho pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.

 

Na decisão, o magistrado destacou que o recebimento da denúncia contra Jackson não impede a continuidade do inquérito complementar, que tem como objetivo esclarecer a eventual coautoria ou participação de outras pessoas, aprofundar a investigação sobre a motivação do crime e reconstruir sua dinâmica por meio da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos.

 

“A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que o inquérito policial não se confunde com a ação penal e pode prosseguir autonomamente para apurar fatos ou pessoas não abrangidos pela denúncia já oferecida, não havendo vedação legal ao seu prosseguimento em razão da pronúncia do investigado na ação principal conexa”, destacou o juiz.

 

Ao término do prazo de 120 dias, os autos deverão ser encaminhados novamente ao Judiciário com relatório conclusivo da autoridade policial.

 

A denúncia

 

Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na manhã de 4 de maio de 2026, na residência do casal, no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá.

 

Segundo a investigação, a vítima foi surpreendida por Jackson enquanto dormia com uma abraçadeira plástica, conhecida como “enforca-gato.

 

Após o feminicídio, o denunciado transportou o corpo até outro imóvel pertencente à vítima e, com o auxílio de maquinário previamente contratado sob o pretexto de realizar uma obra, enterrou o cadáver, configurando o crime de ocultação de cadáver.

 

Na sequência, segundo a acusação, ele teria buscado dificultar a apuração dos fatos ao retirar equipamentos de armazenamento de imagens da residência e simular o desaparecimento da vítima.

 

O crime teve motivação patrimonial. De acordo com o Ministério Público, antes e após o homicídio, o acusado adotou medidas para assumir o controle dos bens e valores da vítima, incluindo movimentações bancárias em benefício próprio.

 

A denúncia relata ainda que o acusado utilizou o celular da própria vítima para enviar mensagens aos familiares, simulando um sequestro e exigindo pagamento de resgate. Além disso, compareceu à delegacia para registrar uma falsa ocorrência de desaparecimento, com o objetivo de dificultar as investigações.

 

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Fonte: Mídianews

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