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Defesa de empresária critica advogados de réus: Tudo tem limite

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O advogado Eustáquio Neto, que defende a empresária Maria Angélica Caixeta Gontijo, classificou como “antiética” a insistência das defesas do trio acusado de matar o advogado Roberto Zampieri em citar o nome dela durante o julgamento da morte do advogado. 

 

Eu respeito absolutamente o direito de defesa, até porque sou advogado há 17 anos, porém, tudo tem limite, e um deles é a ética e a verdade

Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas são julgados nesta semana pelo Tribunal do Júri, no Fórum de Cuiabá. Os três foram interrogados nesta quarta-feira (30), quando o nome da empresária foi citado diversas vezes durante os depoimentos. 

 

“Eu respeito absolutamente o direito de defesa, até porque sou advogado há 17 anos, porém, tudo tem limite, e um deles é a ética e a verdade”, afirmou. 

 

Segundo Eustáquio, Maria Angélica foi investigada inicialmente pela Polícia Civil, mas deixou de ser indiciada por falta de elementos que demonstrassem sua participação no crime. 

 

“Todos eles sabem que a Maria Angélica não cometeu nenhum crime, não participou de nenhum crime, e é lamentável que, em ato de desespero, eles continuem usando o nome da Maria Angélica”, disse. 

 

Ele também citou que o Ministério Público Estadual (MPE) explicou, na denúncia, por que não acusou a empresária, que foi apenas suspeita no início das investigações. 

 

Eustáquio afirmou que um dos advogados de Antônio, Felipe André Laranjo, chegou a procurá-lo anteriormente para tratar do caso e, posteriormente, pediu na Justiça a reabertura das investigações contra Maria Angélica. Segundo ele, o pedido foi negado. Felipe Laranjo não atua mais na defesa do réu Antônio. 

 

Reprodução

maria angelica saida prisao

A empresária Maria Angélica Caixeta Gontijo deixando a prisão em Cuiabá

“Nós entramos com uma representação na OAB de Minas Gerais por essa postura antiética desse advogado [Laranjo]. Ele também responde a uma ação criminal no Estado de Minas. Eu peço e espero que a defesa – eu respeito todos os advogados que estão hoje ali defendendo seus clientes -, tenham essa ética, esse respeito também para com o outro, e não causem mais injustiças”, afirmou. 

 

“Honra manchada” 

 

Maria Angélica ficou presa durante 30 dias na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, suspeita de ser a mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em 2023, na Capital. 

 

A Polícia não encontrou indícios que a ligassem ao crime e ela foi solta no dia 19 de janeiro de 2024, mediante o cumprimento de algumas medidas cautelares.

 

Posteriormente, o juiz Wladymir Perri, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a remoção da tornozeleira eletrônica da empresária. 

 

Eustáquio também afirmou que Maria Angélica teve a imagem exposta nacionalmente, além de ter dois filhos, de 2 e 7 anos. 

 

“Nós ficamos indignados, porque essa mulher esteve presa por 30 dias, de forma injusta, teve a sua honra manchada em rede nacional”, disse. 

 

Montagem/MidiaNews

Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e  Etevaldo Luiz Caçadini

Etevaldo Luiz Caçadini, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Antônio Gomes da Silva

“O que a gente espera hoje é justiça, justiça para todos, inclusive para Maria Angélica, que é plenamente inocente”, declarou. 

 

O crime 

 

Roberto Zampieri foi assassinado com dez tiros em 5 de dezembro de 2023, dentro de seu veículo, nas proximidades do escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

 

Antônio Gomes confessou ter efetuado os disparos. Hedilerson Fialho Martins Barbosa é acusado de participar da execução do plano criminoso, enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas responde por suposta participação no financiamento do homicídio.

 

O casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, apontado como mandante do crime, responde a um processo separado.

 

Segundo as investigações, uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões, estaria entre as possíveis motivações do assassinato.

 

A morte de Zampieri também desencadeou investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados de Mato Grosso e integrantes de tribunais superiores. As apurações tiveram, entre seus desdobramentos, a Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal em 2024.

 

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Fonte: Mídianews

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