Judiciario
Delegado: telefonemas, pesquisa e fotos ligam coronel ao crime
O delegado Nilson Farias, responsável pela investigação do assassinato do advogado Roberto Zampieri, afirmou que as ligações telefônicas feitas pelo coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas antes e logo após o crime acenderam o alerta da Polícia Civil e foram determinantes para que ele fosse apontado como financiador da execução.

Analista identificou que, antes do homicídio, o Caçadini ligou para o Antônio e, logo após, ligou para o Aníbal
A declaração foi dada nesta terça-feira (28), durante o júri popular de Caçadini e outros dois réus pelo homicídio de Zampieri. O advogado foi executado a tiros em dezembro de 2023, em frente ao escritório de advocacia onde trabalhava, no Bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Em depoimento ao promotor de Justiça Samuel Frungilo, o delegado afirmou que a linha investigativa mudou após a análise da quebra de sigilo telefônico de Caçadini.
Segundo ele, inicialmente não havia elementos suficientes para apontar quem seria o mandante do crime. A investigação ganhou um novo rumo quando analistas identificaram que o coronel telefonou para o executor confesso Antônio Gomes da Silva antes do homicídio e, logo após a execução, fez uma ligação para o fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, apontado como mandante do crime.
“Foi quando surgiu o nome do Aníbal. O analista identificou que, antes do homicídio, o Caçadini ligou para o Antônio e, logo após o homicídio, ligou para o Aníbal. A partir daí começamos a trabalhar essa situação para identificar se havia mais elementos ligando os dois”, afirmou o delegado
O delegado relatou ainda que, ao pesquisar processos judiciais envolvendo Aníbal, descobriu uma disputa pela Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
Segundo Farias, outro elemento considerado relevante foi uma pesquisa encontrada no celular de Caçadini sobre o endereço do escritório de Roberto Zampieri.
Conforme o delegado, a busca foi realizada em 9 de outubro de 2023, justamente no mesmo dia em que o advogado protocolou um pedido de apresentação de provas no processo cível envolvendo a disputa pela propriedade rural.
Josi Dias/TJ-MT

Trio que responde a morte de Roberto Zampieri durante o júri popular
“Foi aí que identifiquei que esse pode ter sido o estopim de tudo. Quando o Zampieri entra com o pedido de apresentação de provas, no mesmo dia aparece a pesquisa do endereço do escritório dele no celular do Caçadini”, disse.
Ainda durante o depoimento, Nilson Farias afirmou que a perícia encontrou no celular do coronel fotografias da cena do crime, imagens do corpo de Zampieri, cópias de partes do processo cível envolvendo Aníbal e até o comprovante da passagem aérea de Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediário entre os mandantes e o executor.
Questionado pelo promotor se Caçadini explicou por que mantinha esse material no celular, o delegado respondeu que o coronel chegou a falar sobre o assunto durante o interrogatório, mas permaneceu em silêncio após orientação da defesa.
O caso
Também são julgados nesta terça-feira Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Caçadini financiou o assassinato, Hedilerson atuou como intermediário entre os mandantes e o executor, e Antônio confessou ter efetuado os dez disparos que mataram Roberto Zampieri.
Segundo as investigações, o homicídio foi motivado pela disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, avaliada em cerca de R$ 100 milhões. O casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo é apontado como mandante do crime e responde ao processo em separado.
A execução de Zampieri também deu origem a outras investigações de grande repercussão, entre elas a apuração da Polícia Federal sobre o grupo autodenominado Comando C4 (“Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”) e a Operação Sisamnes, que revelou um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo integrantes do Judiciário de Mato Grosso e tribunais superiores.
Veja vídeo:
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