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Juiz nega soltar policial penal que atirou em “amigo” em Cuiabá

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A Justiça de Mato Grosso negou o recurso e manteve a prisão preventiva do policial penal Elvis Rodrigues Dourado, de 46 anos, preso em julho após atirar contra um amigo durante uma discussão no bairro Grande Terceiro, em Cuiabá.

 

O que se considera, no caso, é a sequência concreta narrada nos autos: comportamento agressivo, busca deliberada de arma

A decisão, publicada nesta segunda-feira (17), foi assinada pelo juiz André Barbosa Guanaes, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, após a defesa pedir a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.

 

O pedido foi fundamentado no estado de saúde do policial, que estaria apresentando sofrimento psíquico. No recurso, a defesa também citou o diagnóstico de hanseníase de Elvis, que necessita de tratamento contínuo, além de ideação suicida e transtorno de estresse pós-traumático.

 

A defesa também mencionou a mudança de endereço da vítima, o fato de Elvis exercer a função de policial penal, a apreensão das armas do acusado e a conclusão do inquérito policial.

 

Ao analisar o pedido, no entanto, o magistrado levou em consideração a dinâmica do caso e as informações apuradas pela Polícia Civil, que apontam um comportamento agressivo de Elvis.

 

Conforme os autos, ele teria arrombado a porta da residência onde estavam para ter acesso à arma de fogo utilizada contra o amigo durante a discussão. Segundo laudos apresentados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), a vítima sofreu uma lesão provocada por um tiro de raspão na coxa direita.

 

Conforme os depoimentos colhidos pela autoridade policial, testemunhas que estavam no local relataram que Elvis fez ameaças de morte e declarou que “deveria ter atirado para matar”.

 

Na ocasião, foram apreendidas duas pistolas, sendo uma Glock 9 mm e uma Taurus .40, além de dezenas de munições intactas e deflagradas.

 

“O que se considera, no caso, é a sequência concreta narrada nos autos: comportamento agressivo, busca deliberada de arma no interior do imóvel, disparos direcionados aos presentes, efetivo atingimento da vítima e apreensão de duas armas e expressiva quantidade de munições”, afirmou o magistrado.

 

Ainda de acordo com o juiz, a conclusão do inquérito não reduz o risco de interferência do policial na investigação, já que uma das testemunhas ouvidas relatou uma tentativa de influência por parte de Elvis.

 

Sobre o estado de saúde do policial, o magistrado ressaltou que, embora os documentos apresentados sejam relevantes, possuem caráter técnico-clínico e não equivalem a uma avaliação médico-psiquiátrica oficial que ateste a incapacidade de tratamento na unidade prisional.

 

“Assim, a documentação atualmente existente não autoriza a imediata substituição da prisão preventiva por domiciliar exclusivamente em razão da enfermidade física”, ressaltou.

 

Diante disso, o magistrado negou o pedido de substituição da prisão preventiva por medidas cautelares e manteve Elvis preso.

 

Também determinou que o Estado forneça tratamento médico ao policial penal para garantir a continuidade do tratamento contra a hanseníase, além de encaminhá-lo a profissionais de saúde especializados.

 

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Fonte: Mídianews

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