Judiciario
Justiça manda soltar filho e neta de investigada pelo assassinato de advogado por dívida milionária
A Justiça de Mato Grosso concedeu liberdade provisória ao filho e à neta de uma mulher suspeita de envolvimento no assassinato do advogado José Antônio da Silva, ocorrido em junho deste ano, em Nova Ubiratã, a 506 km de Cuiabá. A decisão foi assinada pelo desembargador Orlando Perri na última sexta-feira (5).
Segundo a investigação, o crime foi motivado por uma dívida milionária de R$ 4,5 milhões referente a honorários advocatícios devidos pela família a José Antônio. O advogado atuou em uma ação judicial contra uma das suspeitas, que é mãe e avó dos beneficiados com a decisão, respectivamente.
Os dois estavam presos preventivamente desde julho. As defesas, no entanto, alegaram falta de provas que comprovassem o envolvimento direto no crime.
No caso da neta, a defesa argumentou que não há indícios suficientes de participação no homicídio e destacou que a falsa comunicação de um crime feita por ela teria, na verdade, contribuído para a localização do corpo da vítima.
Já a defesa do filho da suspeita ressaltou que a decisão que justificou a prisão era genérica e abstrata. O advogado também afirmou que não há indícios mínimos de participação, especialmente após a confissão da mãe, apontada como autora do crime. A defesa ainda pontuou que o réu é pai de três filhos, um deles com transtorno do espectro autista.
Em ambos os casos o desembargador ordenou a soltura imediata e determinou medidas cautelares. Eles devem se apresentar mensalmente à Justiça, não se envolver em outros crimes e nem entrar em contato com os demais investigados. Eles também serão monitorados por tornozeleira eletrônica.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, os mandantes teriam planejado e financiado o crime para se livrar de uma dívida milionária referente a honorários advocatícios devidos ao advogado José Antônio. A quantia era resultado de uma ação judicial que tramitava contra uma das suspeitas.
A polícia apurou ainda que os envolvidos acreditavam que a vítima não tinha herdeiros, o que impediria a cobrança judicial da dívida após sua morte. Dias antes do crime, o advogado enviou áudios a familiares relatando ameaças, mas afirmou que não abandonaria as ações judiciais que movia contra os devedores.
O crime aconteceu em 26 de junho de 2025. José Antônio foi encontrado morto dentro de casa, em Nova Ubiratã, com um disparo de arma de fogo na cabeça. O corpo estava em estado de abandono, de acordo com a perícia.
O advogado atuava há anos na região e tinha reconhecimento na comunidade jurídica.
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