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MP e filhas de Renato Nery tentam barrar redução de pena de assassino confesso em Cuiabá

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Conteúdo/ODOC – O Ministério Público de Mato Grosso (MPE) e as filhas do advogado Renato Nery, morto a tiros em julho de 2024, em Cuiabá, recorreram ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para impedir a redução da pena imposta ao marceneiro Alex Roberto de Queiroz Silva, condenado a 33 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato. A manifestação das filhas, Renata e Lívia Nery, foi formalizada nesta segunda-feira (26), em resposta ao recurso apresentado pela Defensoria Pública.

A defesa do condenado tenta diminuir o tempo de prisão sob o argumento de que o juiz Marcos Faleiros, responsável pela sentença, considerou circunstâncias atribuídas a outros envolvidos no crime e utilizou características próprias de uma execução por encomenda para aumentar a punição.

O Ministério Público, por sua vez, sustenta que a gravidade do assassinato vai além da contratação de um executor. Para a acusação, a preparação do atentado, a recompensa financeira, o risco à população e o sofrimento imposto à família justificam a manutenção da sentença.

Um dos pontos destacados é a frieza com que Alex organizou a morte do advogado. Durante o julgamento, realizado em 15 de julho deste ano, o marceneiro admitiu que monitorou os passos da vítima, recebeu armamento e munições para treinamento e chegou a visitar o escritório de Nery um dia antes do assassinato.

Na primeira ocasião, segundo o próprio condenado, ele desistiu de atirar, embora tivesse condições de executar o advogado. A decisão, entretanto, não significou o abandono do plano. Alex retornou ao endereço no dia seguinte e efetuou os disparos que mataram Nery.

Outro aspecto utilizado para contestar o pedido da Defensoria é o pagamento pelo homicídio. O executor reconheceu perante os jurados que aceitou cometer o crime por aproximadamente R$ 100 mil. A investigação, contudo, aponta que a contratação do assassinato envolveu uma negociação de cerca de R$ 200 mil, valor que não teria sido integralmente destinado ao atirador.

O promotor Rodrigo Ribeiro Domingues argumenta que a motivação financeira, associada às circunstâncias concretas do crime, permite uma avaliação mais rigorosa da conduta do condenado.

A acusação também chama atenção para o perigo provocado pela execução, ocorrida por volta das 9h, em uma avenida movimentada da capital. Alex utilizou uma pistola Glock modificada para realizar disparos em sequência. Um dos projéteis atravessou a via e atingiu um estabelecimento comercial, colocando outras pessoas em risco.

Para o Ministério Público e as filhas da vítima, a utilização de uma arma com essa capacidade de disparos, em pleno horário comercial, demonstra que a violência poderia ter provocado outras mortes.

O sofrimento enfrentado pela família também integra os argumentos apresentados ao TJMT. Lívia Nery estava nas proximidades quando soube que o pai havia sido baleado. Ao chegar à frente do escritório, encontrou o advogado caído em uma poça de sangue, ainda agonizando, com diversos ferimentos na cabeça.

A cena foi relatada pela filha durante o Tribunal do Júri. Na avaliação da acusação, o trauma de presenciar os últimos momentos de vida do pai representa uma consequência especialmente grave do assassinato, que deve ser considerada na definição da pena.

Alex foi condenado a 29 anos e quatro meses de reclusão pelo homicídio qualificado e a outros quatro anos e seis meses por integrar organização criminosa. Também recebeu oito meses de detenção por fraude processual, além de multa. Os jurados o absolveram da acusação de abuso de autoridade.

O assassinato de Renato Nery teria sido motivado, conforme a denúncia do Ministério Público, por uma disputa envolvendo a Fazenda Atlântida, localizada em Novo São Joaquim e avaliada em aproximadamente R$ 70 milhões.

Os empresários Julinere Goulart e César Sechi são apontados pela acusação como supostos mandantes da execução. O policial militar Heron Teixeira teria atuado como intermediário entre os contratantes e o assassino.

Durante o julgamento, Alex reconheceu ter matado o advogado, mas negou conhecer os supostos mandantes. Ele alegou que estava endividado e sofria ameaças de agiotas quando soube, por intermédio de Heron, da possibilidade de receber dinheiro para executar Nery.

“Eu fui lá e matei o advogado. Depois falei para ele (Heron) que matei o advogado”, declarou o réu durante o interrogatório.

Apesar da versão apresentada pelo marceneiro, os jurados acolheram a maior parte das acusações formuladas pelo Ministério Público.

Agora, caberá ao TJMT analisar o recurso da Defensoria Pública. Tanto a acusação quanto as filhas do advogado defendem que a condenação seja preservada, sem redução do tempo de prisão imposto ao executor.



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