Judiciario
Sobrevivente de atropelamento que matou jovens em Cuiabá busca indenização de R$ 98 mil
Conteúdo/ODOC – A Justiça de Mato Grosso deu andamento ao processo em que Hya Girotto cobra indenização da bióloga Rafaela Screnci, condenada pelo atropelamento que matou dois jovens e deixou uma terceira vítima gravemente ferida, em dezembro de 2018, em Cuiabá. A audiência de instrução e julgamento foi marcada para o dia 1º de outubro, às 15h.
A decisão foi assinada pelo juiz Maurício Lopes Prioli, da 2ª Vara Cível de Várzea Grande, que definiu os principais pontos que serão esclarecidos durante a fase de produção de provas.
Hya, que sobreviveu ao acidente após permanecer em coma e passar por diversas cirurgias, pede R$ 98 mil por danos morais, materiais e estéticos, alegando que ficou com sequelas em decorrência do atropelamento.
Na audiência, a Justiça deverá analisar se Rafaela dirigia sob efeito de álcool e se trafegava acima da velocidade permitida na Avenida Isaac Póvoas, onde ocorreu o acidente. Também será discutida a dinâmica da colisão para verificar se a motorista tinha condições de visualizar os pedestres e evitar o impacto.
Outro ponto que será debatido é a conduta das vítimas. O processo vai apurar se Hya Girotto, Ramon Alcides e Myllena Inocêncio contribuíram para o acidente ao atravessarem a via fora da faixa de pedestres ou se a responsabilidade pelo atropelamento recai exclusivamente sobre a condutora, podendo ainda ser reconhecida culpa concorrente.
Além da definição sobre a responsabilidade civil, o magistrado pretende reunir elementos para avaliar a extensão dos danos físicos, psicológicos e estéticos sofridos por Hya e, caso a ação seja julgada procedente, estabelecer o valor da indenização.

A ação tramita paralelamente ao processo criminal. No último dia 23 de junho, Rafaela Screnci foi condenada pelo Tribunal do Júri a seis anos de prisão em regime semiaberto e teve o direito de dirigir suspenso até o cumprimento integral da pena.
Durante o julgamento, os jurados afastaram a acusação de homicídio doloso, quando há intenção de matar, e reconheceram a prática de homicídio culposo, entendimento de que as mortes ocorreram sem intenção. A sentença foi proferida pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.
O acidente aconteceu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, em frente à antiga boate Valley Pub, na Avenida Isaac Póvoas, região central de Cuiabá. Myllena Inocêncio morreu no local. Ramon Alcides chegou a ser socorrido e permaneceu internado por cinco dias, mas não resistiu aos ferimentos. Hya Girotto sobreviveu, porém enfrentou um longo período de recuperação e, segundo a ação, ainda convive com as consequências do atropelamento.
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