Judiciario
STJ mantém provas contra ex-servidor acusado de lavar R$ 27 milhões para o CV em Cuiabá
Conteúdo/ODOC – O ministro Carlos Cini Marchionatti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve a validade das interceptações telefônicas e da quebra de sigilo dos celulares de Rodrigo de Souza Leal, ex-servidor da Câmara Municipal de Cuiabá e investigado na Operação Ragnatela. A decisão, proferida no último dia 14 de março, representa um revés para a defesa de Leal, que buscava anular as medidas com o argumento de ausência de fundamentação adequada.
Rodrigo Leal, que atualmente cumpre medidas cautelares com monitoramento eletrônico, é apontado pela Polícia Federal como peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Comando Vermelho em Mato Grosso. O grupo utilizava casas noturnas, bares, lava-jatos e outros estabelecimentos como fachada para ocultar a origem de recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a decisão do STJ, os elementos reunidos pelas instâncias inferiores — tanto o juiz de primeiro grau quanto o Tribunal de Justiça de Mato Grosso — foram suficientes para autorizar as medidas investigativas. O ministro destacou que a decisão judicial se baseou em informações concretas da investigação, como a necessidade de identificar outros envolvidos e esclarecer os fatos. A defesa não conseguiu comprovar que houve prejuízo à ampla defesa ou ao contraditório.
As investigações da Operação Ragnatela revelaram que Rodrigo Leal movimentou cerca de R$ 27 milhões entre os anos de 2018 e 2022, valor incompatível com sua declaração de imposto de renda, que em 2021 foi de apenas R$ 92 mil. No mesmo ano, ele movimentou R$ 10 milhões entre créditos e débitos bancários. Ele também é proprietário do Strick Pub, casa noturna apontada como uma das principais utilizadas para lavar dinheiro, com movimentação de R$ 17 milhões em três anos.
Outro nome envolvido no esquema é Willian Aparecido da Costa, conhecido como “Gordão”, dono do Dallas Bar, que transacionou R$ 14 milhões entre 2021 e 2022. Seu lava-jato e o Complexo Beira-Rio, também usados na operação criminosa, movimentaram juntos mais de R$ 10 milhões no período investigado.
Já Kamilla Beretta Bertoni, apontada como integrante do núcleo contábil do grupo, teria atuado na fragmentação de valores para dificultar o rastreamento do dinheiro. Apesar de ter declarado R$ 90 mil em rendimentos e R$ 312 mil em bens à Receita Federal em 2022, ela movimentou mais de R$ 2 milhões em suas contas. Junto com Rodrigo Leal, também criou a empresa “Dom Carmindo Lava Jato e Conveniência”, usada como fachada e responsável por movimentar R$ 6 milhões em três anos.
A Operação Ragnatela foi deflagrada no dia 5 de junho de 2024 e envolveu a Polícia Federal, com apoio de órgãos de controle fiscal e bancário. A ofensiva revelou uma complexa rede de empresários, agentes públicos, promotores de eventos e integrantes do Comando Vermelho, que atuavam para viabilizar grandes eventos e lavar o dinheiro do tráfico de forma disfarçada. Segundo os investigadores, o vereador Paulo Henrique (MDB) também seria um dos articuladores do esquema, facilitando licenças por meio de fiscais da Prefeitura de Cuiabá para a realização de shows nacionais.
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