Judiciario
CNJ amplia investigação contra juiz que acessou celular de advogado assassinado sem autorização
Conteúdo/ODOC – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu prorrogar por mais 140 dias o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que investiga a conduta do juiz Wladymir Perri, ex-titular da 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A apuração trata da decisão do magistrado de romper o lacre e acessar o conteúdo do telefone celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá.
A decisão foi tomada por unanimidade durante sessão virtual encerrada na última terça-feira (30). Os conselheiros acompanharam o voto do relator, Ilan Presser, autorizando a ampliação do prazo para a fase de instrução do processo, que seguirá por mais 140 dias a partir de 7 de maio de 2026.
O procedimento disciplinar tramita sob sigilo e foi instaurado após representação apresentada por quatro promotores de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), em setembro de 2024.
Segundo a denúncia, os promotores questionam a forma como o magistrado conduziu a análise do celular de Zampieri. Conforme os autos, Wladymir Perri teria autorizado, por decisão assinada por ele próprio, o rompimento do lacre do aparelho, reservando exclusivamente para si o acesso ao conteúdo antes da continuidade das investigações.
O Ministério Público também apontou estranheza no fato de o juiz ter permitido que um dos acusados de participar do assassinato do advogado, o coronel da reserva Etevaldo Caçadini de Vargas, tivesse acesso aos autos e, em seguida, decretado sigilo absoluto sobre o processo.
Outro ponto levantado pelos promotores foi a justificativa apresentada pelo magistrado para acessar o aparelho. Segundo Perri, a medida seria necessária para verificar se havia menções a autoridades com prerrogativa de foro, hipótese que poderia alterar a competência para condução das investigações.
O telefone de Roberto Zampieri se tornou uma das principais peças das investigações envolvendo suspeitas de corrupção no Judiciário mato-grossense. O conteúdo do aparelho revelou indícios que levaram ao afastamento de dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), investigados por suposta venda de decisões judiciais. As informações também deram origem a apurações que alcançaram o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na época em que analisou questionamentos sobre o caso, o desembargador Juvenal Pereira da Silva avaliou que a troca do magistrado responsável pela ação penal evitou prejuízos maiores ao processo.
“O prejuízo só não foi maior porque o magistrado que efetuou o deslacre e devassou o conteúdo da prova foi removido para outra unidade judiciária, de modo que não será ele o responsável pela instrução e julgamento da causa, não ficando comprometida, pois, a imparcialidade do julgador”, registrou.
Wladymir Perri deixou a 12ª Vara Criminal de Cuiabá após outro episódio que ganhou repercussão nacional, quando determinou a prisão de uma mãe durante audiência realizada na presença do homem acusado de matar o filho dela. O caso gerou forte reação e levou à transferência do magistrado para outra unidade judicial.
Com a nova prorrogação, o CNJ terá mais tempo para reunir provas e concluir a apuração disciplinar sobre a atuação do juiz no caso envolvendo o chamado “celular bomba” de Roberto Zampieri.
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