Judiciario
TJ nega anular provas e mantém advogada acusada de ocultar bens de facção em domiciliar
Conteúdo/ODOC – O desembargador Marcos Machado, da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou pedido liminar da defesa da advogada e influenciadora Dayane Karol Moreira para anular provas obtidas durante a Operação Replay, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho.
Dayane foi alvo da operação, deflagrada em 30 de julho pela Polícia Civil, e é apontada como responsável por auxiliar na ocultação e dissimulação do patrimônio de Paulo Witer Farias Paelo, o WT, identificado pelos investigadores como tesoureiro da facção criminosa em Mato Grosso.
A decisão de Marcos Machado foi publicada nesta quinta-feira (3). A advogada chegou a ser presa preventivamente, mas atualmente cumpre prisão domiciliar.
No recurso, a defesa alegou supostas irregularidades na obtenção das provas durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Um dos argumentos é que a diligência teria ocorrido em endereço diferente daquele autorizado pela Justiça.
Os advogados também questionaram a ausência de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) durante as buscas. Segundo a defesa, o acompanhamento seria necessário em razão da atividade profissional exercida por Dayane.
Na decisão, porém, Marcos Machado destacou que documentos apresentados pela própria defesa indicavam que o imóvel onde ocorreu a busca estava vinculado à investigada.
Entre os documentos citados estão contratos de prestação de serviços e a declaração de Imposto de Renda de Dayane, nos quais o local apareceria como endereço profissional e domicílio fiscal da advogada.
A defesa também pediu a liberdade de Dayane ou o relaxamento da prisão, argumentando, entre outros pontos, que ela é mãe de uma criança de oito anos.
O desembargador ponderou, no entanto, que a prisão preventiva já havia sido substituída pela domiciliar pelo juízo de primeira instância.
Dissimulação de patrimônio
A Operação Replay investiga crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro supostamente praticados por integrantes e pessoas ligadas a uma facção criminosa.
Um dos principais alvos é Paulo Witer Farias Paelo, o WT. Ele está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, mas, conforme a Polícia Civil, continuaria atuando na organização criminosa mesmo de dentro da unidade prisional.
Durante a operação, um novo mandado de prisão preventiva foi cumprido contra ele.
Segundo a Polícia Civil, Dayane teria atuado na ocultação e dissimulação do patrimônio atribuído a WT. O esquema envolveria imóveis de alto padrão em Itapema (SC), que teriam sido adquiridos em nome de “laranjas”.
Nas redes sociais, a influenciadora compartilhava registros de uma rotina de luxo, incluindo viagens para diferentes destinos do país.
Operação Replay
Deflagrada em 30 de julho, a Operação Replay cumpriu 10 mandados de prisão preventiva, além de medidas cautelares contra 14 investigados em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Entre os presos estão Thawany Nunes Silva de Bulhões, esposa de WT; o ex-assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva; o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como Soldado; Emerson Ferreira Lima, o Gordinho; e a influenciadora Katani Adorno Bocardi, esposa de Emerson.
Também foram presos Aldemir de Assis Campos, o Tucão; Ygor Henrique da Silva Martins; e Anderson Alves de Sousa.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 17,2 milhões em bens e valores. As medidas atingiram apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, além de três terrenos e quatro veículos.
Também foi determinado o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros. Segundo a Polícia Civil, o montante corresponde à movimentação identificada em uma contabilidade apreendida durante as investigações.
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