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Justiça nega absolvição de PMs acusados de forjar confronto

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A Justiça de Mato Grosso negou o pedido de absolvição sumária — que encerraria a ação penal antes da fase de instrução — apresentado pelos policiais militares da Rotam Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso.

 

Esse lastro probatório mínimo é suficiente, nesta fase, para sustentar a probabilidade da ocorrência dos crimes

Eles são acusados de forjar um confronto para plantar a pistola Glock G17 utilizada no assassinato do advogado Renato Nery, em julho de 2024, em Cuiabá, e respondem por homicídio e tentativa de homicídio.

 

A decisão é do juiz Marcos Faleiros da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, e foi proferida na última quinta-feira (16).

 

Ao analisar os pedidos das defesas, o magistrado afirmou que a denúncia descreve de forma individualizada a participação de cada acusado e está amparada por elementos suficientes para justificar o prosseguimento da ação penal.

 

Entre as provas mencionadas na decisão estão laudos periciais e balísticos da arma e dos projéteis, o laudo de necropsia da vítima do suposto confronto, o exame de lesão corporal do adolescente sobrevivente, além de depoimentos de testemunhas e outros elementos da investigação.

 

Conforme o magistrado, esse conjunto probatório aponta coincidências balísticas com a arma utilizada no homicídio de Renato Nery.

 

“Esse lastro probatório mínimo é suficiente, nesta fase, para sustentar a probabilidade da ocorrência dos crimes na forma descrita na denúncia”, afirmou o juiz.

 

Na mesma decisão, Marcos Faleiros também rejeitou o pedido da defesa para ter acesso integral aos arquivos brutos extraídos dos celulares dos acusados. Segundo ele, os advogados já tiveram acesso aos laudos periciais utilizados pela acusação e não demonstraram prejuízo concreto que justificasse a disponibilização do material.

 

Ao final, o juiz marcou a audiência de instrução e julgamento para o dia 19 de agosto, às 8h30, em formato híbrido. Na ocasião, serão ouvidas as vítimas, testemunhas e os réus.

 

Relembre o caso

 

O suposto confronto, conforme o boletim de ocorrência, ocorreu na madrugada de 12 de julho de 2024, uma semana após a morte de Nery, na Avenida Contorno Leste, no bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá.

 

Os quatro PMs atendiam a uma denúncia do roubo de um Volkswagen Gol, que teria acontecido cerca de quatro horas antes dos três suspeitos serem localizados pelos policiais, quando estavam a caminho de um desmanche de carros.

 

Na ação, os policiais afirmam que houve reação e disparos por parte dos suspeitos. Assim, os tiros foram revidados e resultaram na morte de um dos ladrões, deixando um segundo baleado. Já o terceiro envolvido fugiu.

 

Conforme o B.O., onde consta o relato dos policiais, o trio estava com duas pistolas, uma Glock G17 e uma Jericho.

 

Entretanto, a reportagem apurou que a perícia feita no local não encontrou nenhuma cápsula deflagrada das pistolas. A suspeita da Polícia é que os PMs tenham plantado não somente a Glock utilizada na morte de Nery, mas também a Jericho.

 

Na denúncia do MPE, consta que o criminoso que foi baleado e sobreviveu afirmou que eles cometeram o roubo do carro utilizando somente uma arma falsa que compraram online.

 

Ainda conforme apurado pelo MidiaNews, a vítima do roubo afirmou em depoimento à Polícia Civil que os criminosos portavam somente uma arma. De acordo com o MPE, ambas as pistolas que supostamente estavam em posse do trio não foram encontradas no local do confronto.

 

Tanto a Glock quando a Jericho foram entregues pelo sargento Jorge Rodrigo Martins ao, na época, delegado titular da DHPP, Rodrigo Azem.

 

Leia mais:

 

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Fonte: Mídianews

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