Judiciario
STJ nega soltar idosa acusada de mandar matar advogado em MT
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou soltar a idosa Cleusa Bianchini, de 69 anos, acusada de mandar matar o advogado José Antônio da Silva, em Nova Ubiratã ( a 471 km de Cuiabá), no ano passado.
A decisão foi assinada pelo ministro Herman Benjamin e publicada nesta quarta-feira (22).
Cleusa está presa desde julho de 2025, após investigações da Polícia Civil apontarem que ela contratou os serviços advocatícios de José Antônio para atuar em uma ação de reintegração de posse de uma propriedade rural de aproximadamente 218 hectares.
Segundo a investigação, o contrato previa que os honorários do advogado corresponderiam a 20% da área da fazenda, o equivalente a 43,6 hectares, avaliados em cerca de R$ 4,5 milhões.
No entanto, conforme a Polícia Civil, o acordo não foi cumprido, levando José Antônio da Silva a ajuizar uma ação contra a ex-cliente para cobrar os honorários. Diante do caso, Cleusa teria contratado um pistoleiro para executar o advogado.
A defesa entrou com um habeas corpus no STJ alegando que Cleusa é ré primária, possui bons antecedentes, residência fixa e permanece presa há quase um ano.
Os advogados sustentaram ainda que as audiências de instrução e os depoimentos de réus e testemunhas foram concluídos em fevereiro de 2026 e que o único motivo para o processo ainda não ter sido encerrado é a espera pela análise dos dados extraídos do telefone celular da vítima.
A defesa também argumentou que, em razão da idade avançada de Cleusa, a demora na tramitação do processo torna a manutenção da prisão preventiva desproporcional. Por isso, pediu a substituição da custódia por medidas cautelares diversas ou pela prisão domiciliar.
Na decisão, o ministro Herman Benjamin destacou que a instrução processual já foi encerrada e que não ficou caracterizada paralisação do processo por inércia do Poder Judiciário.
O magistrado também ressaltou que, em uma análise preliminar do caso, não identificou ilegalidade manifesta que justificasse a concessão da liminar para colocar a investigada em liberdade.
Diante disso, negou o pedido e determinou o envio dos autos ao Ministério Público Federal (MPF), que deverá emitir parecer antes do julgamento definitivo do recurso.
O caso
Conforme a Polícia Civil, Cleusa Bianchini contratou o assassino de aluguel Kall Higor Pereira Machado, conhecido como “Mete Bala”, por meio de um funcionário de uma loja da qual era locatária, identificado como Kelvinmar Cardoso Silva.
Segundo a investigação, no dia 26 de junho de 2025, “Mete Bala” invadiu a casa de José da Silva, em Nova Ubiratã, o torturou, inclusive cortando alguns de seus dedos, e o matou com um tiro na cabeça.
Cleusa foi detida em 26 de julho, em Nobres, na Operação Procuração Fatal, da Polícia Civil, que revelou o suposto envolvimento do filho dela, Alessandro Vageti, e da neta, Giovanna Vageti.
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