Judiciario
TJ-MT aponta risco à investigação e mantém vereador na cadeia
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) negou soltar o vereador de Poxoréu Túlio César de Oliveira Lima (Republicanos), alvo da Operação Elo Oculto por suspeita de participação no assassinato de Lavignia Gabrielly Guimarães Coutinho, de 20 anos.

Evitar a combinação de versões ou influência em testemunhas, atos que a autoridade policial reputou indispensáveis
A decisão foi assinada pela desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque, da Quarta Câmara Criminal do TJ-MT, e publicada nesta segunda-feira (20).
Túlio foi preso no dia 14 de julho, após as investigações da Polícia Civil apontarem uma suposta ligação do vereador com o homicídio da jovem, que teria sido ordenado por integrantes de uma facção criminosa. O crime ocorreu no dia 10 de maio em uma boate da cidade.
O parlamentar já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão no dia 2 de junho, no âmbito da mesma investigação.
No recurso, a defesa do vereador solicitou a revogação da prisão temporária decretada pelo prazo de 30 dias, ou a aplicação de medidas cautelares, alegando que ele colaborou com as investigações ao entregar voluntariamente o veículo e o aparelho celular para a Polícia Civil.
Os advogados também argumentaram que a prisão seria desnecessária, destacando que Túlio é réu primário, possui residência fixa e exerce mandato eletivo no município.
A magistrada, no entanto, ressaltou que a prisão tem como objetivo garantir o andamento das investigações, que buscam esclarecer a dinâmica do crime, localizar a arma utilizada e identificar os demais envolvidos no homicídio da jovem.
Segundo a decisão, a entrega voluntária do celular e do veículo não afasta a necessidade da custódia, uma vez que a liberdade do investigado poderia comprometer a coleta de provas, influenciar testemunhas ou permitir a combinação de versões.
“Verifica-se que tal circunstância, isoladamente, não afasta a utilidade da custódia temporária para o ato de interrogatório e para evitar a combinação de versões ou influência em testemunhas, atos que a autoridade policial reputou indispensáveis”, afirmou a desembargadora.
Em relação ao cargo de vereador, a magistrada destacou que as condições pessoais do investigado, como primariedade e residência fixa, não são suficientes para justificar a revogação da prisão.
Operação Elo Oculto
A Polícia Civil deflagrou, na manhã do dia 14 de julho, a Operação Elo Oculto, para cumprir oito ordens judiciais relacionadas à investigação do homicídio de Lavignia Gabrielly, ocorrido na madrugada de 10 de maio de 2026, em uma casa noturna localizada às margens da MT-130, em Poxoréu.
As investigações conduzidas pela Delegacia de Poxoréu apontaram que o crime teria sido ordenado por integrantes de uma facção criminosa que atua na região.
Conforme a apuração policial, a motivação estaria relacionada ao fato de a mãe da vítima trabalhar na base da Polícia Militar do município e, ocasionalmente, receber ajuda da filha nas atividades da unidade.
A suspeita é de que os criminosos tenham considerado que a jovem repassava informações à polícia e, por isso, teriam determinado sua morte.
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