Judiciario
STJ nega soltar marido de ex-juíza acusado de matar bancária
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso e manteve a prisão do empresário Antenor Alberto de Matos Salomão, acusado de matar a bancária Leidiane Souza Lima, em janeiro de 2023, em Rondonópolis (215 km de Cuiabá).
Antenor é casado com a ex-juíza Maria das Graças Gomes da Costa, que atuava na Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis. Ele foi aposentada compulsoriamente pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) no último dia 27 anos sob suspeita de ter favorecido o marido.
A decisão que manteve a prisão de Antenor, publicada nesta sexta-feira (4), é do ministro Luis Felipe Salomão, após a defesa alegar a ocorrência de constrangimento ilegal e falta de fundamentação atualizada para a manutenção da prisão preventiva do dele.
Ao analisar o caso, o ministro negou o recurso e apontou que não há flagrante ilegalidade capaz de justificar a concessão da liberdade a Antenor.
Divulgação

A bancária Leidiane Souza, que foi assassinada em Rondonópolis
O magistrado destacou ainda que o Tribunal de origem não analisou os recursos apresentados pela defesa.
Segundo ele, uma análise antecipada pelo tribunal superior configuraria indevida supressão de instância, cabendo primeiro à Corte estadual esgotar o julgamento de mérito das teses defensivas.
“No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem”
O caso
Conforme a Polícia Civil, Leidiane Souza Lima e Antenor Alberto de Matos Salomão mantiveram um relacionamento extraconjugal, do qual nasceu uma filha.
A vítima foi morta na manhã do dia 27 de janeiro de 2023, no Bairro São Jorge, em Rondonópolis, quando saía de casa para trabalhar e foi surpreendida por um homem usando capacete.
e acordo com a Polícia, ela foi atingida por vários disparos de arma de fogo, inclusive após cair no chão, e morreu ainda no local.
Antenor foi denunciado por feminicídio e preso em fevereiro de 2023 durante o andamento das investigações. Um mês depois, a Justiça concedeu habeas corpus, liberando-o mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Em agosto de 2025, a prisão preventiva foi novamente determinada, e ele permanece detido na Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa, em Rondonópolis.
Montagem/MidiaNews

A juíza Maria das Graças Gomes da Costa (detalhe), que foi aposentada compulsoriamente pelo TJ
Suposta interferência
Casada com Antenor, a juíza Maria das Graças Gomes da Costa foi acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ter conhecimento prévio do feminicídio de Leidiane Souza Lima.
Em denúncia ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o MPE também mencionou suspeitas de interferência da juíza na disputa judicial pela guarda da filha de Antenor e Leidiane.
O órgão apontou registros de ligações telefônicas entre a juíza e Antenor no período do crime, inclusive contatos realizados logo após o assassinato da bancária, além de suposta utilização, pelo empresário, do documento de porte de arma funcional da magistrada.
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